Arão Guerreiro

Actuality

Geração à Rasca mas Desenrrascada (PT)

Houve em Março passado uma manifestação com focos por todo o país com o objectivo de protestar por vários direitos como o da educação, do emprego, do fim da precariedade e do reconhecimento das qualificações através dos salários.

Eu não estou contra a dita manifestação. Acho muito bem que o descontentamento, seja ele qual for, seja dado a conhecer a quem compete e desde que o objectivo inicial do protesto não seja descambado por alguns elementos que não necessitam de uma genuína motivação para as suas acções, vejo-o muito correcto.

Os bebés quando têm um problema choram até que a mãe resolva o assunto. Se não resolve… continuam a chorar até que sejam vencidos pelo cansaço.

Até na Bíblia há uma parábola que incita à insistência. Fala de uma viuva que perseguia um juiz corrupto para que este cumprisse o seu trabalho e fizesse justiça no caso dela. Por não desfalecer e depois de tanto “incomodar” o juiz, a mulher acabou por ver o seu caso resolvido:

Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito.

A comparação com o juiz corrupto até pode ser apropriada, mas o que quero focar aqui é que a insistência, quando resguardada pelos verdadeiros motivos, tarde ou cedo conduz a resultados.

No entanto, apesar de todas as dificuldades que esta geração sente, eu gostaria de ser positivista e levantar os ânimos.

Como Tugas somos (pelo menos entre nós) conhecidos como desenrascados. Isso nota-se muito em contextos organizacionais metanacionais (e ponhamo-lo claro, fora de Portugal). Temos genes de iniciativa e empreendedorismo. Conseguimos descobrir meio mundo, somos pioneiros em tantos meios nas mais diversas áreas da economia.

Então se temos estas qualidades, utilizemo-las!

Façamos algo por nós mesmos. Se a resposta de todas as pessoas é fugir do país porque as condições não são as ideais o problema nunca será resolvido.

Eu posso ser uma pessoa simples do campo, mas a minha reflexão neste assunto é que não podemos estar de braços cruzados apenas a protestar. Áreas fundamentais da nossa sociedade como a educação ou a saúde chegaram à situação de “direitos” porque alguém tratou de jogar as mãos à obra em vez de apenas protestar.

Somos uma geração formada e rica em conhecimento, no entanto com falta de ocupação, com ocupação mal remunerada ou em qualquer outra situação que nos faz sentir (como geração) ociosos, desvalorizados ou até inúteis.

Então criemos as nossas ocupações! Ok, agora invadem os pensamentos criticos “Pois, mas isso não é fácil” ou “Falar é bonito”. Eu sei, não é fácil e em palavras é mais bonito do que em acções.

Isto até me faz lembrar as palavras de William Wallace (Brave Heart):

Sim, nós podemos morrer. Todos vamos morrer mais cedo ou mais tarde. Mas vamos morrer por uma causa pela qual vale a pena morrer. Para que os nossos filhos e netos possam viver em liberdade.

O nosso caso não é tanto de vida ou morte, mas é de crescimento económico e evolução como nação. Ou ficamos parados, ou ficamos parados e a protestar, ou vamos embora dando as costas a um problema que persiste ou então fazemos coisas!

Ok, para fazer coisas são necessários recursos. Essa é a verdade material incontronável, no entanto eu penso que temos ao nosso serviço duas características que nos ajudam a esse respeito:

1) Formação e conhecimento

2) Desenrrascanço

O conhecimento e o desenrascanço são óptimos para criar inovação e vencer paradigmas. A primeira acção para vencer um paradigma é questioná-lo: Porque é que isto tem de ser feito assim?

Porque é que temos que encontrar ocupações pela maneira tradicional e encaixar num sistema que nos rejeita?

Vou colocar uma ideia que ainda carece de ser debatida e bem construída, mas eu não lhe encontro impossibilidade:

– Muitas das pessoas desta geração necessitam ocupação (ou melhorar a sua);

– A totalidade das pessoas desta geração tem necessidades enquanto consumidora (das mais básicas como alimentação e vestuário às de entretenimento e às profissionais);

– Uma parte significativa da geração tem falta de liquidez.

Olhando para estes 3 pressupostos, eu vejo um potencial de mercado enorme. Sendo um conjunto de pessoas com capacidades produtivas e necessidades há espaço para um mercado que apenas não funciona por falta de moeda de troca.

No entanto essa moeda de troca pode ser virtualizada ou simplesmente desnecessária (aqui entra o conhecimento e o desenrascanço). Por exemplo, se se recorrer à troca directa a moeda tal como a conhecemos deixa de ser um factor determinante para que se empreenda determinada acção: ‘eu faço-te um vestido de desenho à medida e tu fazes-me um documentário em video para eu promover a causa XYZ’ ou ‘dou-te 2 caixas de laranjas da minha horta por um desenho gráfico utilizando um software avançado’.

Desta forma ambas as partes estão a ter ocupação ao mesmo tempo que resolvem necessidades sem que isto ocupe a totalidade do seu tempo disponível.

Através um portal que servisse de mercado de recursos conseguiríamos criar a nossa própria “economia paralela” de troca directa sobre uma base de dados de necessidades e recursos.

Esta forma de organizar recursos serviria também para promover o empreendedorismo. Dou um exemplo: surge a ideia de plantar flores que poderão ser vendidas na época do feriado de 1 de Novembro. Uma pessoa disponibiliza um terreno, outra pessoa consegue sementes, outra tem um tractor, outra sabe transformar o tractor para que trabalhe a hidrogénio e não consuma gasóleo, outra entende do cultivo de plantas, outra entende de gestão e organização. Sem um grande investimento, utilizando principalmente o conhecimento e “desenrascanço” como recursos (sim, e o trabalho de braço) consegue-se desenvolver uma actividade capaz de gerar ainda mais recursos.

Depois, tendo uma actividade que funciona e que tem resultados palpáveis, este grupo de jovens pode procurar capital que financie o seu crescimento. Há neste país muitas pessoas com dinheiro e dispostas a investir em ideias alheias quando estas dão provas de resultados. E se não há suficientes neste país, há fora!

Isto é regredir em termos sociais?  A mim parece-me mais a liberdade frente a um paradigma de forma a chegar mais perto de algo que se deseja. As economias devem ter equilíbrio em pequena escala (geograficamente) antes de o terem a grande escala.

O nosso país está cheio de recursos (naturais, intelectuais e potenciais) que podemos explorar com inteligência e temos a possibilidade de não sermos escravos de um sistema falido.

Se alguém partilha esta opinião, juntemo-nos. FAÇAMOS algo uns pelos outros deixando de ser puros individualistas.

Dá a conhecer esta nota a quem achas que é desta geração e desenrascado!

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